A ação do prefeito: Uma reflexão.

“Tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas.”

Sábias e célebres palavras de Saint Exupéry que podem servir para a atual conjuntura vivenciada por nós cidadãos de Manaus.

O nosso prefeito Amazonino Mendes, nesta semana suscitou velhos fantasmas que outrora muitos pensavam haviam sido exorcizados. Em cenas lamentáveis o Negão, como é chamado pelos seus pares, destratou uma moradora de uma comunidade de risco. Além de exigir que estes moradores saíssem da área, sem no entanto apontar para onde eles deveriam ir, de maneira histérica o Negão, esqueceu que também não nasceu em Manaus (já que ele é de Eirunepé), mandou de maneira cínica a moradora “morrer”, ou seja, afirmou categoricamente que pouco se importava com a situação daquelas pessoas e questionando sobre a origem dela (do Pará) exclamou: “Então tá explicado.”
Tenho pena do Prefeito Big Black. Hoje ele vive o dilema de Maquiavel: Afinal o que vale mais? ser amado ou ser temido?
O ódio as camadas sociais menos favorecidas não vem de hoje. É como diria um professor meu: “É histórico meu querido.” Já no seculo XIX, forjou-se a partir da ideologia das chamadas classes perigosas a concepção de que o pobre é portador de males: Doente, criminoso e preguiçoso. É sobre essa ideologia que se pautou todo o embelezamento das cidades brasileiras da virada do século XIX para o XX: A célebre Belle Epoque. Notemos que em Manaus as áreas centrais tiveram planejamento arquitetônico projetado a partir dos modelos europeus. Às classes perigosas sobraram as áreas periféricas (não muito diferente de hoje em dia).
Estamos em amplo debate a respeito dos projetos para a Copa do Mundo de 2014. Nossos governantes apontam a maneira mais ordeira de como usar os recurso do PAC (isso mesmo o Programa de Aceleração do Crescimento) para as obras em infra-estrutura, transporte e investimento no setor de serviços. Alguns políticos até de esquerda, cobrando a execução do bilionário projeto do Monotrilho (enquanto você anda nos ônibus lotados e caindo aos pedaços e a dengue grassa sobre nossas casas).
Estes embelezamentos e investimentos não são para os socialmente da periferia. É como dizem alguns alunos meus:
“Prof, é só para a diretoria, é só para os chegados.”
Podemos a partir do que ocorreu deduzir quem o prefeito (e as pessoas partidárias de suas idéias e interesses) odeiam: Odeiam não o retirante nordestino, o caboclos interiorano que invadiu o capital ou mesmo nossos vizinhos paraenses. O ódio aqui é de classe. É a volta da ideologia das classes perigosas. É preciso controlar, vigiar e punir os desvalidos de toda a sorte.
E afinal quem Amazonino ama? Claro os mega-empresários do distrito, seu eleitores mais abastados e seus assessores-bajuladores de plantão. Talvez a esta hora ele esteja cantarolando a música creep da banda Radiohead:
“What the hell am I doing here? I don’t belong here” (Que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar)
Qual nosso lugar nisso tudo? Nosso camarada Chê Guevara afirmou certa vez: “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.
Como professor, como cidadão, como Amazonense com sangue de nordestino e em nome dos meus familiares que ainda hoje moram no interior do Estado. Como filho da classe trabalhadora repudio veementemente a atitude xenófoba do nosso prefeito.

Encerro trazendo as palavras do meu saudoso avô: “Só temos medo do que não conhecemos.”
Tenner Inauhiny de Abreu
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Professor de História;
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Mestrado em História da UFAM

Núcleo de Pesquisa Política, Instituições e Práticas Sociais (POLIS)
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